segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Nada-Tudo

Amigos,
Deixem-me viver convosco o nada-Tudo, argamassa
de uma vida sem muros.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Liberdade...!


Ata-me para sempre, tu!

Ata as minhas mãos,

Tu.

Ata-mas

Com esse misteriosos nó entre o tudo e o nada,

Com essa união que funde a oferenda com a chama.

Tu.

Ata-mas...

Abertas como páginas em branco onde...

Ou juntas como os sulcos que se unem sobre a semente lançada

para esconder a morte e dar vida quando em amor a todos se repartem.

Ou mais juntas ainda em indissolúvel atitude de...amor.

Tu.

Ata-as!

São flores brancas devem estar atadas.

Que importa o que dizem (!)

Tu.

Ata-as, são pobres, enriquecerão.

Tu.

Ata-as, estando presas como pombas que voam em voo branco

e livre em suas casas, querem estar atadas.

Tu.

Ata-me bem, ó tu, e serei livre.

Ata-me junto com as mãos a alegria que quero dar e ter.

Tu.

Nada, nada.

Tu.

As minhas mãos sempre livres, brancas, juntas...

Tu.

1978

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

......tende piedade

Deus é! Cada um, mesmo aquele que o nega, procura-o e fala dele à sua maneira.

José Saramago está a subir deliberadamente por um caminho fácil, onde reina o apego ao poder da sabedoria que julga ter. José Saramago procura a União no cimo do Monte. Alegremo-nos e cantemos:

Mulungo Umbuia, (Senhor) tem piedade, empurra-o para o Caminho Estreito.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Os miminhos não têm muros...de Moçambique ao Tibete

"O caminho é o abandono da criança que adormece, tranquila nos braços de seu Pai"

Teresa de Lisieux


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tibete: Um grito

Raio de Sol em mãos que afagam,
Coração palpitante por sobre o Lago Sagrado,
Trinado de corvo!
Juntos permaneceremos na Montanha,
mergulhados no azul-turquesa,
fortalecidos pelo fôlego dos peregrinos,
procurando-te o mesmo e Único!

... os pedaços de mim que lá deixei ficaram inscritos nos corações. A sinfonia de meus "ais" ecoará eternamente na Montanha Sagrada do Kailash e ondulará suave no Lago bendito.
Granjeei amor e registei-o na conservatória daqueles com quem o partilhei.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nossa Senhora da Carvalha

Engana-se quem pretende diluir a família em modernismos vazios de significado e de sentido. Assisti a uma festa de família e em família, na bonita Vila de Freixo de Numão, cuja protagonista foi Nossa Senhora da Carvalha.
Protagonista, porque o padroeiro oficial é o velhinho S. Pedro que de chaves na mão, tão grandes como a sua imagem, ocupava no seu andor um comum lugar nas procissões.

Os que ouvimos a homilia da Eucaristia solene, no Santuário de Nossa Senhora da Carvalha, com o dourado da sua imagem a competir com os raios do Sol de Outono, não ficámos com dúvidas do motivo que leva Maria, Mãe de Jesus, a ser a Rainha das nossas festas e romarias

Apesar de as escrituras falarem pouco sobre Maria, sabemos que a ela se vêm dando muitos atributos, privilégios e títulos de honra, por isso podemos dizer que de Maria nunca fica tudo dito, como afirmou o presidente da celebração, Acipreste António Ferraz.

No cristianismo, Maria acaba por ser a pessoa mais próxima da divindade. Podemo-nos identificar com ela porque está imanente, próxima, é humana como nós, mas ao mesmo tempo nós veneramo-la porque nos transcendente, está muito para lá de nós.
Maria transcende a Igreja por ser mãe de Cristo, mas toda a sua graça vai para a Igreja por ser mãe dos cristãos.
A missão de Maria é de unir Cristo aos homens. Essa missão nunca acaba, continua sempre. Ela continua a interceder por todos e amar todos em Cristo. Só em Cristo tem razão de ser a distribuição de graças, ela é medianeira de todas as graças, mas sempre em Cristo.
A Igreja reza por intercessão de Maria como advogada, socorro, auxiliadora.
A doutrina do Concílio Vaticano II sobre Maria e a Igreja foi formada com as experiências vividas numa tradição de séculos. O Concílio deu-lhe uma nova forma de acordo com as exigências culturais e religiosas do mundo contemporâneo, ao mesmo tempo que nos diz que a eficácia santificadora da Igreja está na íntima união com Cristo, associada a Maria sua Mãe.
Maria personifica a fé, pela sua fé. A Promessa cumpriu-se nela mesma. Maria foi aprofundando a sua fé na divindade de Jesus, aos bocadinhos, guardando tudo no seu coração até encontrar explicações para as suas dúvidas.

Por parte da Igreja são relativamente poucas as declarações oficiais sobre Maria:
Concílio de Éfeso (431) – Maria é proclamada Mãe de Deus. Esta proclamação surgiu não tanto por causa de Maria, mas por motivos cristológicos; O Dogma da Imaculada Conceição (1854) constituiu um elemento do símbolo apostólico; o Dogma da Assunção é o único que tem a ver directamente com Maria, porque tanto a sua virgindade como a sua Imaculada Conceição estão claramente relacionados com Cristo.

A Virgem Mãe do Emanuel situa-se entre a esperança humana e a iniciativa de Deus de vir ao mundo feito homem. Ser Mãe do Emanuel tem o verdadeiro significado da maternidade divina.
A Virgem Mãe simboliza o povo que gera Deus, e o Emanuel, o Filho da Virgem, simboliza o novo povo gerado de Deus.
Se formos a ver o Novo Testamento está centrado em Cristo e não em Maria, por isso não podemos dar a Maria o lugar de Deus.

O Evangelho de João mostra-nos Maria, mãe de Jesus, ligada à obra do Filho, que se prolonga na Igreja. A sua maternidade messiânica alarga-se em maternidade espiritual de todos os remidos em Cristo, na Cruz. A fé de Maria empurra a fé dos discípulos nas Bodas de Caná, onde é apresentada como Mãe e como Mulher. Jesus aparece como o vinho novo para simbolizar os bens messiânicos como elemento significativo do banquete escatológico, onde se enquadra o significado mariológico da expressão Mulher.
O importante no Evangelho de João, é que Maria passa de Mãe física de Jesus a Mãe espiritual dos crentes.

Desde a Incarnação até ao Calvário, os evangelhos põem de relevo a função maternal de Maria. A Sagrada Escritura apresenta-nos Maria sempre apostada em seguir o Filho e unida aos seus trabalhos, alegrias e sofrimentos.
O “faça-se”de Maria é uma resposta de fé.
No momento decisivo do seu diálogo com o anjo, Maria, a Filha de Sião, abandona-se totalmente em Deus e responde com todo o seu ser humano e feminino com um sim. Dá-se uma admirável correspondência entre o poder do Altíssimo e a atitude da mulher predestinada que responde com perfeita disponibilidade às determinações divinas.A fé de Maria adquire um significado especial no cumprimento das coisas que se lhe anunciavam (Lc 1, 26-38).

Ela é Bendita entre as mulheres porque não duvidou. Precisamente porque acreditou, chegou a participar activamente no mistério de Cristo.
De Maria nasceu Jesus. Podemos dizer que os caminhos do Filho marcaram o rumo da vida da Mãe.
Estar cheia de graça não constitui uma coisa misteriosa. Deus, ao decidir concretizar a sua intenção de auto-comunicar-se, prepara para si o templo, a arca onde vai morar. Quando entra, torna o lugar divino. Dizemos que Maria é Mãe da divina graça porque a graça vem de Cristo e Cristo vem de Maria.
O anjo define o ser de Maria e chama-lhe a cheia de graça (Kejaritomane), bendita entre as mulheres
Maria foi agraciada com aquela bênção espiritual que o Pai nos ofereceu em Cristo e que brotou do amor de Deus. Toda a glória da graça, semente ou gérmen de santidade, se concentra na pessoa de Maria..

A Igreja reza com Maria. Em Maria, a história revela o desejo de Deus de salvar o homem, por isso ela é ponto de encontro entre a promessa e a salvação de Deus. Ela é, como sabiamente afirmou António Ferraz, convite ao recolhimento, ao encontro, ao diálogo, à intimidade, à oração, à meditação…
Esta é Maria, a Nossa Senhora da Carvalha
A ti e ao fruto bendito do teu ventre, Jesus, oferecemos os frutos que Ele nos deu, profetizados em Jeremias 1, 11:
Depois foi-me dirigida a palavra do SENHOR nestes termos: «Que vês, Jeremias?» E eu respondi: «Vejo um ramo de amendoeira.»






quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sumaúma

Possuída de amor,
cheia dum eterno,
empurrada para um absoluto,
absorta por uma plenitude
que se continua no esbater do Sol
embrenhado por entre os castelos que navegam ao decimo deste meu vizinho
e raivoso mar!
Possuída de amor me sinto.
Quem me possui?
A mim, mulher que se diz livre e não o é de si, porque o amor a possui.

Onde está o amado desta amante possuída?
Não há braços que te alcancem,
não há lábios que te toquem,
não há peito que te aperte, coração que te sinta no seu bater desconcertado!
Possuída de amor!
Explosão de amor:
sumaúma empurrada pelo vento,
vulcão,
balão,
eu.
Eu: saco, cratera, envólcuro,
continente de amor!
Explosão, amostra de amor que voa, se espalha, se dissolve, se respira
e não se vê mais nem nunca!

Onde está o amado desta amante possuída?
Não há braços que te alcancem,
não há lábios que te toquem,
não há peito que te aperte, coração que te sinta no seu bater desconcertado!
Possuída de amor!
Janeiro de 82








terça-feira, 1 de setembro de 2009

One, two, three...


"E encontrei-me neste saber não sabendo, toda a ciência transcendendo."
S. João da Cruz
Vendo isto descriminem e ouvindo despertem.