
Ata-me para sempre, tu!
Ata as minhas mãos,
Tu.
Ata-mas
Com esse misteriosos nó entre o tudo e o nada,
Com essa união que funde a oferenda com a chama.
Tu.
Ata-mas...
Abertas como páginas em branco onde...
Ou juntas como os sulcos que se unem sobre a semente lançada
para esconder a morte e dar vida quando em amor a todos se repartem.
Ou mais juntas ainda em indissolúvel atitude de...amor.
Tu.
Ata-as!
São flores brancas devem estar atadas.
Que importa o que dizem (!)
Tu.
Ata-as, são pobres, enriquecerão.
Tu.
Ata-as, estando presas como pombas que voam em voo branco
e livre em suas casas, querem estar atadas.
Tu.
Ata-me bem, ó tu, e serei livre.
Ata-me junto com as mãos a alegria que quero dar e ter.
Tu.
Nada, nada.
Tu.
As minhas mãos sempre livres, brancas, juntas...
Tu.
1978